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Fingimento Poético

Domingo, Junho 28, 2009

Durante as aulas de português, algo me fez muita confusão em relação à crise existencial de pensar em Fernando Pessoa. No início, começamos a pensar sobre o assunto de uma maneira muito céptica e vamos compreendendo aos poucos o que Pessoa quer dizer. E admito que, no início, para mim, Pessoa, não passava de um doido que pensava demais e isso teria enlouquecido-o. Mas, agora, acho que é um doido e um génio da cultura portuguesa.

Exprimir aquilo que se está a sentir é sempre mais fácil para fazer com que os outros acreditem. Mas se ansiamos muito um sentimento que não temos, é necessário saber fingir para acreditarem que estamos a senti-lo. No fundo, o que importa realmente é ser-se um fingidor.

O fingimento poético de Fernando Pessoa é a sua criação artística. Nele existe um conflito constante entre o sentir e o pensar. Para ele, um poema é um produto intelectual, porque não acontece no momento da emoção, mas resulta da sua recordação. Por isso, se se está a pensar no que se sentiu, como se pode sentir esse sentimento que já foi embora? É necessário saber fingir para que os outros acreditem nesse sentimento. Pessoa afirma que “o poeta é um fingidor”, no poema “Autopsicografia”, e esse poema é prova do que ele diz, pois se o poeta o escreveu é porque pensou num sentimento que sentiu sensitivamente anteriormente. Portanto, teve que fingir que estava a senti-lo para escrevê-lo para que a descrição desse sentimento fosse verdadeira. ( poema “Isto”- outro exemplo de fingimento poético)

Fingir o que se sentiu origina uma dor de pensar, pois está-se a pensar sobre as sensações e, por isso, se se está a pensar não se está a sentir, e quem não sente não é feliz.

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  1. Blogger Tiago | 1:10 PM |  

    O Ricardo fez-te mal :P
    (foi isto que escreveste como resposta à pergunta de resposta extensa do exame de português?)
    Eheh, agora a sério...concordo em absoluto com o primeiro parágrafo. Estava céptico ao início (embora sempre tenha gostado muito do poema "Autopsicografia") mas depois fui percebendo melhor as intenções do homem. O fingimento é uma fuga, e deus sabe o quanto às vezes precisamos de dar uma boa escapadela.

  2. Blogger Catarina | 1:23 PM |  

    Por acaso não escrevi isto no exame de português... Mas devia ter escrito, nao?
    O Ricardo não me fez mal não xD
    Quando estive a estudar para português, é que tive a pensar em tudo e mais alguma coisa.
    Sou infeliz porque penso =P

  3. Anonymous Ricardo Gonçalves | 4:44 PM |  

    Vocês estiveram mesmo a escrevinhar este fim de semana (e eu também... hi hi hi). Tenho de arranjar alguma coisa que me permita ler RSS de maneira fácil (In your face), antes que fique desactualizado de tudo aquilo que fazem.

    Se te afectei, o louco pede desculpas, mas estou de acordo com aquilo que disseste sobre Pessoa. Todos os loucos são génios por nascer.

    De resto, parece que o teu blogue adquiriu um travo das tuas personalidades, se isso foi intencional agradeço.

  4. Blogger Luís | 1:48 PM |  

    Ora viva,

    Já vou um pouco atrasado, mas... Este tema empolgou-me:P...

    Começo por dizer que sempre me identifiquei muito com o Fernando Pessoa!;) Se isso bom ou mau, o que é certo é que sempre estive bastante sintonizado com o tipo de escrita dele. Há até quem diga que o que escrevo faz lembrar F.P...Talvez, não sei...:$

    Quanto ao fingimento poético, é um facto.

    Já escrevi algures que " os meus melhores poemas foram aqueles que nunca escrevi", ou seja aqueles que apenas senti. Poemas feitos "mentalmente" enquanto se está a sentir algo. São poemas que vêm e vão e nada fica... E eu fico triste, pois era o mais puro sentimento que ali estava... Provavelmente tentarei fazer "uma replica"... Mas ficarei sempre triste por não me lembrar do poema "mental" (algo óbvio acontecer).

    Enfim, tive de rescrever todo o comentário, pois isto deu um erro...:S também é uma espécie de réplica...xD

    Olha nina, os meus Parabens pelo Blog, está 5***** gosto mesmo!:)

    Um beijo*

    Luigi

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